sábado, 6 de fevereiro de 2016

Porque o medo?




Estávamos eu e Breno ontem nos preparando para sair. No caminho ele parou em uma farmácia para comprar preservativo e eu fiquei esperando no carro.
Enquanto via ele na fila com o preservativo nas mãos e uma garrafa de água comecei a lembrar de um vídeo que ele mesmo me mandou. É um vídeo daquele programa CQC em que fazem um teste de preconceito, colocando uma moça bonita para paquerar um rapaz aleatório e quando a moça aceita sair com o rapaz ela se diz portadora do HIV e o rapaz a dispensa...
Aí eu fiquei olhando o Breno naquela fila, olhei as pessoas ao redor dele, os atendentes da farmácia, os clientes e fiquei pensando: por qual motivo alguém teria medo, nojo ou qualquer outra coisa do tipo? Se para minha pessoa ele é um homem digno e que merece respeito, carinho e tudo de bom que um ser humano possa ter... Ele não é melhor nem pior do que ninguém que se encontrava naquele estabelecimento e nem no resto do mundo. Porque ele seria diferente somente por ser portador de um vírus? 
Claro que antes disso tudo acontecer (descobrir que o Breno é soropositivo) eu também alimentava esses tipos de medos. mas se a gente deixa de buscar conhecimento isso tudo pode virar preconceito. 
Nós corremos riscos todos os dias, como dizem: para morrer basta estar vivo, então porque o medo? Existe camisinha! Se estourar? Existe Pep! E se eu contrair HIV? O mundo não acaba, você viverá dignamente igual a todo mundo!

Não deixem de transar/se relacionar com os soropositivos por medo pessoas! Deixe o desejo e os sentimentos falar mais forte e quando rolar não esqueçam: você + ele(a) + camisinha!

Beijos e abraços.
Edna.

O vídeo do qual lembrei...

O que aprendi lendo as bulas dos antirretrovirais...


Turminha do bem!


Eu sempre tive o costume de ler as bulas dos medicamentos, até mesmo quando vou tomar um remédio para dor de cabeça. Sei que é importante, mas também sei que muita gente não lê por preguiça, achar que não encontrará nenhuma informação importante ou até mesmo por medo de ver quais efeitos colaterais aquele medicamento pode causar.
Já havia me oferecido para ler a bula dos antirretrovirais do Breno e na semana passada ele foi buscar os remédios e as trouxe para que eu pudesse ler.
Digo que foi uma leitura bem interessante, vamos aos comentários:

-Em geral os efeitos colaterais que são descritos são praticamente iguais os de outros medicamentos.
-Um é fabricado no Brasil (Taboão da Serra-SP), outro na Alemanha e outro nos EUA.
-A chance da pessoa ter um efeito colateral dos mais frequentes é de 10% no máximo, outros que são menos frequentes chegam a menos de 1%.
-Alguns exames podem ser alterados devido ao uso dessas medicações.
-Também outros remédios podem interagir com eles, anulando ou aumentando seus efeitos.
-Sempre importante ingeri-los junto a alimentos.
-Há muitos avisos que o uso incorreto pode fazer com que o tratamento seja comprometido, fazendo com que a pessoa crie resistência a tal medicamento e necessite nova combinação.

Portanto, sempre tomem os remédios no horário correto, todos os dias!

Lembrando que não sou médica e nada do que estou postando aqui substitui uma consulta, são somente meus comentários e percepções pessoais, portanto se estiverem na dúvida procurem o CTA mais próximo. E também não faço o uso dessas medicações e sim o Breno.

Beijos e abraços,
Edna.


A Vida é Bela

Sim, a vida é bela...

Se olhamos ao arredor podemos ver que a vida vale muito a pena.

Sei que as vezes nossa vida as vezes as coisas não acontecem do jeito que queremos ou como sonhamos, as vezes toma um rumo diferente.
Nossa visão muda, sonhos mudam, nem tudo está acabado, desistir jamais.

Meu pai um certo dia me disse que se arrependeu de certas coisas que ele fez quando eu era criança, algumas dessas infelizmente presenciei. Uma das coisas foi que ele se “esqueceu” de cuidar da própria saúde. Onde que por isso ele passou os últimos 3 anos de sua vida numa cama de hospital. Sofreu muito, vários dias me dava desespero vê-lo ali agonizando sem ter o que fazer. Por duas vezes os médicos chegaram para nós e disseram que não tinha mais o que fazer. Mesmo assim ele foi forte e escapou, até que não aguentou.

Nesse tempo ele foi muito forte, tinha vários sonhos, sonho simples como a cura pela doença que ele tinha, queria muito pescar e viajar. Lembro que cada pessoa que chegasse em casa ele abria o maior sorriso, podia ser um vizinho que ele via todos os dias ou alguém que ele não via a um bom tempo, ele falava o tempo todo ria muito. Até os médicos e enfermeiros davam muitas risadas com ele.

Lembrando disso eu pensei: Poxa vida se meu pai na cama de um hospital na situação que ele se encontrava ele sorria para todo mundo querendo passar coisas boas para todos nós, se ele consegui fazer isso eu também consigo, não deve ser muito difícil. Por isso não irei mais me lamentar, não quero mais chorar. Quero olhar e seguir a diante porque temos uma nova chance, novos sonhos.

Claro que nem todos os dias estaremos 100% dispostos, não podemos deixar que certas situações tomem controlem nossa vida, porque quem controla nossa vida somos nós mesmos.

Devemos sempre lutar para que a realidade, por mais dura que se apresente, seja encarada de forma a estarmos vencendo este que pode ser um jogo da vida.
O mais importante é dar um sentido à vida, pois a vida é bela quando a damos valor.

Abraços 

...Breno...





segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O “susto”

Infelizmente já vimos na tv várias reportagens de médicos despreparados onde já esqueceram materiais de uma operação dentro do paciente, operam a perna errada de uma pessoa, diagnóstico errado para uma certa doença etc. Foram vários casos desse tipo isso porque só alguns chegam na mídia fora os que não ficamos sabendo.
Eu nunca tinha passado por isso antes. Mas depois que recebi meu diagnóstico em Outubro passado senti na pele alguns desses despreparos.

No primeiro caso foi num posto de saúde onde fui fazer um teste rápido, esse já foi relatado numa outra postagem minha em detalhes. Mas só relembrando que depois da primeira picadinha a enfermeira me chamou para a segunda picadinha para o novo teste. Nessa hora ela tremia muito, não sei se era de medo (medo dela pegar ou medo de me passar o diagnóstico). Percebi que ela estava muito nervosa.

O segundo caso aconteceu na semana passada.
Fui tomar a 2ª dose da vacina ant Hepatite B num posto de saúde perto de minha casa. Essa vacina está em falta nesse posto, então me indicaram um outro posto de um bairro próximo.

No dia seguinte fui nesse outro posto, chegando lá aguardei um pouco até q fui chamado.
Quando fui chamado me dirigi até a sala, sentei na cadeira e a enfermeira fez um cadastro onde tive q revelar o porque da vacina.
Ela perguntou que tratamento eu estava fazendo para adicionar no cadastro, disse que sim, falei que era sobre Hiv.
Nessa hora percebi que ela mudou seu comportamento em diante, ela ficou um pouco assustada, começou a falar uma história bem "estranha" que foi assim:

 - Sabe moço sabe, ontem me furei com uma agulha de uma paciente aqui que veio tomar vacina e corri no hospital e perdi todo o meu dia lá...

Eu ouvi aquilo e achei estranho do jeito que ela falou, e pensei que o certo seria ela ter se dirigido no CTA, que por outro lado o atendimento é rápido e confiável, se fosse o caso ela tomaria o PEP. Mas tudo bem, fiquei na minha e não comentei nada.
Na hora que fui liberado, perguntei a ela se era melhor eu vir tomar a vacina direto com eles nesse posto. Ela imediatamente me disse:

- Não, você pode ir no posto perto de sua casa, sua vacina estará lá!

Eu olhei para ela e falei:

- Sim está bem então, obrigado.

Daí me levantei e sai da sala.
Na volta para casa fiquei com essa cena em mente, reparei q a história que ela me contou foi um pouco "estranha". Parecia ter sido inventado por ela, mas tudo bem.
Vi que infelizmente sim, existem profissionais dessa que estao desqualificados, o que não seria para acontecer.

Até quando?

Abraços.

...Breno...


sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A importância da atividade física aos soropositivos

Todos nós sabemos que atividade física faz bem para a saúde, porém aos soropositivos é ainda mais importante por estimular o sistema imunológico. 
Pesquisas apontam que exercícios aeróbicos por pelo menos 20 minutos com a frequência de 3 vezes na semana já podem ajudar no aumento do CD4 e melhora a aptidão cardiopulmonar.
Além disso também melhora o estado psicológico dos soropositivos, diminuindo os níveis de ansiedade, depressão e estresse, fazendo com que se socialize mantendo contato com outras pessoas e sentindo que pode fazer qualquer atividade normalmente apesar de sua sorologia. 
Também ajudam a controlar, amenizar e prevenir alguns efeitos colaterais dos antirretrovirais como a lipodistrofia, mau colesterol, diabetes e triglicérides elevados. A musculação, além dos aeróbicos também se mostra eficiente contra a lipodistrofia segundo estudos. 
Sempre importante consultar um médico antes de iniciar as atividades físicas. 

O mais interessante de tudo isso é que além dos benefícios físicos o soropositivo pode perceber que tem poder de fazer de tudo, que não é o vírus que irá impedi-lo, pode se exercitar, trabalhar, estudar, viajar, namorar, tudo!
Então, bora pra academia!?

Edna





Fontes:
http://portalrevistas.ucb.br/index.php/RBCM/article/viewFile/649/660
http://www.aids.gov.br/pagina/atividade-fisica
http://www5.usp.br/11225/musculacao-e-eficiente-contra-a-lipodistrofia-no-hiv-aponta-estudo-da-eerp/

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

De onde vem o preconceito com o HIV?...

Segundo o dicionário, Preconceito:
1 Conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos adequados. 
2 Opinião ou sentimento desfavorável, concebido antecipadamente ou independente de experiência ou razão. 
3 Superstição que obriga a certos atos ou impede que eles se pratiquem.

Ás vezes eu me pego pensando, me perguntando mentalmente, porque as pessoas têm tanto preconceito e ás vezes até medo do HIV? 
Se para para pensar, acho que é simples, cheguei a essa conclusão:

As pessoas têm preconceito pelo fato de não ter conhecimento adequado sobre o assunto... O preconceito é fruto de pouca informação...

Analiso mais um pouco, penso na época da escola, levavam profissionais da saúde e apresentavam até teatros sobre DSTs em geral, mostravam fotos de órgãos sexuais em situações deploráveis, panfletos e distribuíam preservativos, porém tratavam sempre como uma punição "se pegar uma doença dessas vocês vão sofrer, o tratamento é doloroso, AIDS mata e etc etc etc", porém nunca explicando que a vida não está perdida se você contrair uma doença, que em nossas vidas tudo pode acontecer e somente o que põe um ponto final em nossas vidas é a morte. 
Não é colocando medo que as pessoas vão compreender que devem se proteger, mas sim aprendendo mais e mais, quanto mais informação se tem mais as pessoas vão compreender o motivo de se proteger e também não ter preconceito por saber exatamente do que se trata cada uma dessas DSTs (Inclusive o HIV que é chamado de AIDS nos lugares, já começando errado por aí, não necessariamente todo portador do HIV tem AIDS). 
Além disso é de mau gosto apresentar fotos dos órgãos sexuais "doentes" dando a impressão que toda pessoa que possui alguma dessas enfermidades se encontra nessa situação, o que não é verdade e acaba por contribuir mais ainda pelo preconceito.
Atualmente é mais difícil ver abordagens como essas, porém ainda existem e ainda continuam na mente das pessoas infelizmente...

Portanto, fica a dica: busquem conhecimento e espalhem conhecimento,sendo soropositivo ou não, só assim poderemos acabar com o preconceito!

Beijos e abraços, 
Edna


Não há motivos para ter medo de conviver com um soropositivo, pode abraçar, beijar, dividir o lanche...
Sexo: com preservativo, sendo soropositivo ou não isso é essencial!



domingo, 24 de janeiro de 2016

O mundo precisa de loucos. Loucos uns pelos outros.

Muito se fala em gentileza, amor, fazer o bem ao próximo e também vejo muita gente confundindo isso com dar dinheiro ou luxo para as outras pessoas, quando na verdade o material não tem nenhuma importância perto de sentimentos e atitudes simples do dia a dia. 
A simplicidade é o mais importante e quando somada a humildade das pessoas e com pequenas atitudes e gestos corriqueiros esses podem fazer a diferença. 

  • Faça pequenas boas ações em sua rotina.
  • Mude sua perspectiva de olhar. Faça o bem sem olhar a quem.
  • Escute o que as outras pessoas tem a dizer.
  • Deseje um Bom Dia a todos, é sempre um bom começo.
  • Sorria sempre, essa é a melhor forma de ganhar sorrisos.
  • Sinta como a gentileza proporciona bons sentimentos.
  • Olhe nos olhos para conversar.
  • Respeite as necessidades de cada um. 


Edna.




"Eu vivo, eu amo"