quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Depois do teste rápido, a descoberta: soronegativa

E depois do dia 06/10...
Cheguei em casa não conseguia dormir, tinha fome não conseguir comer...Estava muito preocupada com o Breno e também tinha a certeza que também tinha contraído HIV. Tive medo de ter sido eu que tivesse passado para ele, mas isso nunca saberíamos.
Acho interessante esclarecer, nós usávamos preservativo, porém não o tempo todo, ás vezes usávamos o método do "coito interrompido" e ás vezes colocava a camisinha só nessa hora. Eu tinha medo de engravidar, por isso esses "cuidados". 
Então no dia 07, acordei, tomei café forçada, pois meus pais estavam por perto e logo depois iria na academia e não iam deixar eu sair sem comer. Mas não comentei nada do que estava acontecendo, apesar da minha vontade de agarrar a minha mãe pedindo colo e ouvir dela o que ela sempre me diz que pra tudo na vida tem uma solução... Engoli o choro, fui para a academia, fiquei uns 15 minutos e logo voltei pra casa, sabia que todo mundo já tinha ido trabalhar. Tomei banho me arrumei, peguei o ônibus e fui para o CTA. Eu já havia passado perto do CTA, e tenho um amigo gay que faz exames frequentemente lá e já havia me contado como funciona.
Cheguei no CTA totalmente perdida, vi uma senha nem li para que era já fui pegando, olhei para as pessoas que estavam lá e fiquei imaginando: "será que todos aqui tem HIV?" vi um senhor muito magro e já me passou pela cabeça se ia ficar daquele jeito também. Falando agora vejo quanto preconceituosa eu fui, obviamente que nem todos que estavam lá tem HIV, aquele ambulatório atende diversas pessoas com diferentes doenças infecciosas e outras que estavam lá pelo mesmo motivo que eu fui, para saber se tem algo para assim buscar um tratamento. Olhei vi o Breno, corri na direção dele, abracei, chorei e ele chorou, a enfermeira ficou nos olhando e eu vi a tristeza no olhar dela em ver aquela cena... senti muito medo, me senti morta em vida. Breno disse que ela já estava a par da nossa história e então ela pediu que a acompanhasse enquanto ele foi para colher sangue. Na sala da enfermeira ela perguntou como eu estava, disse que estava péssima, desesperada, e foi aí que ouvi algo que já havia dito, que já sabia mas que era necessário ouvir "Edna hoje em dia não se morre mais de AIDS/HIV, é mais fácil você sair na rua e morrer atropelada, ter um infarto ou qualquer outra coisa, mas se fizer o tratamento de AIDS você não vai morrer e também não é garantia que você também adquiriu o vírus, você precisa fazer o teste". 
Sai da sala da enfermeira e logo o Breno apareceu, ela avisou que me levaria fazer o teste rápido e ele iria ver a Psicóloga. A secretária fez meu cadastro, colocando meu nome e o bairro onde moro, sem muitas identificações (sim é sigiloso) então pediu para aguardar. Sentei num sofá e peguei uma revista, mas estava tão nervosa que folheava mas não lia nada, não conseguia me concentrar. Logo a psicóloga me chamou, no consultório me perguntou porque queria fazer o teste, contei toda a história e ela me explicou que poderia sim dar positivo como também negativo, que não necessariamente eu teria contraído, pois existem vários fatores que temos que levar em consideração. Aguardei mais um pouco e outra enfermeira me chamou, furou a ponta do meu dedo com uma agulhinha que tinha um plastico roxo no qual ela segurava, engraçado que mesmo sendo toda "furada" tendo brincos, piercings e tatuagens eu não gosto de ver agulha e prefiro sempre não olhar o ato de furar, mas nesse dia eu olhei claramente ela espetando meu dedo, aquele sangue todo saindo, aquele ato poderia mudar muitas coisas na minha vida, através dele receberia meu diagnóstico, eu tinha certeza que estava com HIV, tentava não pensar e ficar calma mas a vontade era de sair correndo e gritando sem rumo até morrer de tanto cansaço para poder fugir de tudo isso, fugir da minha realidade... mas, enfim, pegou o sangue do meu dedo com um instrumento tipo um canudinho e colocou em um buraquinho numa plaquinha branca. Limpou com álcool, colocou um curativo e voltei a aguardar na sala de espera, fiquei uns 20 minutos no sofá aguardando e foram os minutos mais longos de toda a minha vida, o desespero nem consigo descrever... a secretária perguntou se eu gostaria que o Breno fosse me encontrar, disse que sim. Nisso vi a psicóloga saindo da sala da enfermeira com uma pasta verde em mãos, fiquei imaginando, seria mera coincidência ou a pasta verde são para os positivos? Imaginava mil e uma coisas, esses 20 minutos pareciam mais 20 anos, a psicóloga fez sinal com a mão de positivo e entrou na recepção, pensei: positivo de que deu positivo ou positivo porque deu negativo? mas poxa, ela sorria, não ia rir da desgraça alheia, primeiras coisas que aprendemos na faculdade de psicologia é ter empatia, mas naquele momento como boa observadora que sou esse meu sentido estava ainda mais aguçado somado ao meu desespero pelo resultado, e logo depois a psicóloga chamou novamente ao consultório. Com muita calma tirou a folha da pasta, colocou na mesa empurrando pro meu lado: "Olha só, deu negativo, não tem HIV", eu quase não acreditei, chorei muito, nem conseguia falar direito, depois ela me perguntou se eu continuaria com o Breno, pois se fosse continuar poderíamos ter uma relação normal se ele se tratasse corretamente, mas que também nem eu nem ele merecíamos ficar juntos por dó ou culpa, portanto que era para eu pensar no que faria a partir daquele diagnóstico. Eu realmente não sabia responder isso, só o que sabia era que não ia abandona-lo. Ela me explicou que deveria repetir o teste, também um teste completo e confesso que por medo não fiz até hoje, mas sei que é importante para nós. Conversamos um pouco sobre sua profissão e minha futura profissão e logo me despedi, agradeci muito sua atenção e lhe desejei mentalmente muitas coisas boas, não somente a ela, mas todos que trabalham no CTA  pois o acolhimento que tive naquele local nunca tive em nenhum lugar, é exemplar.

Breno estava me esperando no sofá, com o olhar perdido, logo me viu e já foi abraçando, sentei do lado dele e disse que tinha dado negativo, ele me agarrou, chorava e ria, ficou feliz com a notícia, a verdade é que tanto eu quanto ele tínhamos esperança do exame dele estar errado e tudo isso virar só um sonho ruim. Mostrei o papel com o resultado do exame, esse que olhei muitas e muitas vezes nos dias seguintes...
Saindo do CTA no carro ele chorava muito, dizendo que tudo iria mudar, eu disse que estaria com ele, mas ele estava frágil e inseguro, isso somente com o tempo ele perceberia, somente com o passar dos dias e ao ver que estava ao seu lado. Na realidade ele tinha medo de ser abandonado, eu também tinha esse medo, mas mesmo que fosse outra pessoa, até mesmo um amigo/amiga minha atitude seria a mesma.

Mas, mesmo com o meu resultado negativo eu fiquei muito abalada nos dias seguintes, por tudo que aconteceu, pelo Breno, quando gostamos de alguém tudo que queremos é ver a pessoa bem e todo o sofrimento dele me fazia sofrer também, eu tinha muita esperança daquele sangue não ser dele, tanto que ele foi fazer um teste rápido que infelizmente deu positivo, mas não fez com que perdêssemos as esperanças e sabia que positivo ou negativo estaria com ele.

Sei que preciso repetir esse exame e tenho consciência que pode ser positivo, apesar de saber que é realmente negativo. Não tenho medo de ficar doente, tenho medo do preconceito e de magoar meus pais, decepcioná-los e perder sua confiança...
Mas acredito que vários fatores contribuíram para não ter contraído: Breno não gozava "dentro", nunca fizemos anal que é uma das formas mais fáceis de contágio, sua carga viral era baixa, e também existe uma mutação que alguns europeus principalmente alemães podem ter que faz com que não contraiam o vírus que é exatamente minha descendência.
Só o que sei com certeza é que agora sim nos cuidamos, usando preservativo em 100% das relações.

Sei também que o HIV não mata ninguém, o que mata é o preconceito das pessoas, por isso é muito importante buscar conhecimento sobre esse tema, pra poder compreender e aprender que não há motivos para descriminar o soropositivo, que fez muito bem a ambas as partes dar apoio e carinho. 

A todos que escolheram viver: Beijos e abraços da Edna!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Dias Inacabados


Depois de 06/10/2015 os dias que viriam seriam uns dos mais difíceis que eu iria enfrentar em minha vida.
Foram mesmo muito difíceis, pareciam que nunca iriam se acabar, por mais que me esforça-se ou tentava pensar em outra coisa era praticamente impossível me concentrar. Foram praticamente dias de “terror”, dias que nunca imaginei passar por essa situação, eu andava pisando no vácuo, com passos lentos, nem me alimentava direito, até tinha fome mas não a vontade de comer.
Quando eu via meu filho eu pensava tanta coisa, eu abraçava ele e o beijava (claro q ainda faço isso rs...) eu tive medo em não vê-lo crescer, não se formar, não casar etc.. Se damos muito bem e sei que sou muito importante na vida dele.
Pensei em desistir de tudo.
Quase parei a faculdade, olha que eu estava bem cursando o 6º Semestre em Engenharia Civil, acabei perdendo algumas aulas e nas que eu frequentava eu na verdade “não estava lá, estava muito longe”.
No emprego então quase pedi demissão, tudo o que eu fazia parece que me aborrecia, tanto que nunca em minha vida profissional nunca fui chamado atenção se quer, mas naqueles dias “ganhei” duas advertências por bobeira/distração minha, o gerente com o supervisor me chamou para conversar, me questionaram o porquê da mudança de meu comportamento, disseram q confiavam muito em meu serviço mas naqueles dias eu estava “aéreo”. Eu nem conseguia encara-los, fiquei com medo que descobrissem algo, apenas assumi o erro e disse que estava com problemas particulares e que logo iriam se resolver, mas tive vontade de pedir demissão.
Minha vontade nesses dias era de sair correndo sem rumo e sem direção, apenas correr e sumir.
E Edna, o que seria dela se ela tivesse contraído também? Na verdade não sabíamos quem tinha pego de quem, nós estávamos muito nervosos e perdidos com essa situação, ainda mais eu que já tinha recebido o diagnóstico, foi extremamente difícil. Me lembro que um dia desses Edna me disse que a “confiança tinha perdida”, nesse momento fiquei calado, sem reação, eu já não tinha nem chão, apenas baixei a cabeça e pensei: Como e quando?
Nesse dia já sabíamos que Edna não tinha pois o exame dela deu negativo. Foi um “alivio” porque meu maior medo é que ela tivesse pego de mim, fiquei apavorado na hora porque pensei muito em seus pais que são pessoas inesquecíveis.
Logo então sabendo que Edna não tinha me veio uma dúvida em mente: Se Edna não tem como eu tenho?
Por meio dessa dúvida fiz uma investigação para que possivelmente eu tentar entender de onde eu teria contraído o HIV.
As pessoas que procurei, tive que contar o fato e não acusei ninguém, pelo contrário, alertei cada pessoa a procurar o CTA e para que se protejam sempre.
A primeira pessoa q procurei foi a mãe de meu filho que na época fazia um ano que estávamos separados novamente (rs...), mas não vou entrar em detalhes porque foi meio complicado do jeito que ela me tratou, mas felizmente ela é soronegativa.
A Segunda pessoa eu tinha me relacionado em uma época que morei com meu pai, fazia mais de um ano que não se víamos, foi muito difícil para mim levar essa notícia para essa pessoa porque hoje ela está namorando, mas tive que alertá-la, ela ficou apavorada, mas alguns dias depois ela foi no CTA fazer o teste junto com o namorado, e felizmente nenhum deles tem e recebi um apoio dela, as vezes ela me envia mensagens perguntando como estou e como anda o tratamento.
Teve mais uma pessoa que procurei, porque essa morei com ela por um ano depois que me separei da mãe do meu filho, essa pessoa levei vários dias até falar com ela. Quando consegui, novamente não foi fácil porque tive que falar toda a história novamente etc..etc. etc.... Ela me disse que é doadora de sangue a alguns anos e esse ano ela doou, então se tivesse dado alguma alteração no sangue dela, o pessoal que faz a coleta já teria lhe avisado, mas confesso que fiquei “com um pé atrás” com ela, mas pelo menos fiz meu dever de alertá-la em procurar o CTA.
No início de 2013 fiz uma cirurgia para retirada de uma pedra que estava no rim que acabou indo parar na bexiga, na época sentia dores horríveis, não sei quanto tempo levou essa cirurgia pois tomei anestesia geral.  

Depois de tudo isso fiquei muito feliz porque as últimas pessoas que convivi nos últimos anos nenhuma tem, então veio aquela incerteza do meu exame, pensei: Puxa vida, se ninguém tem eu também não tenho comentei com Edna, nós tínhamos muita esperança e certeza que aquele sangue que fizeram o exame não era meu. Ficamos muito felizes apesar de tudo.
Nesse tempo já tinham coletados novas amostras de sangue para testes mais específicos no CTA e já tinha até consulta com a médica agendada.
Em um desses dias, comentei com Edna de eu ir em outro posto de saúde para fazer o teste rápido para comprovar que eu era soronegativo porque nós estávamos muito confiantes nisso.
Até que um dia eu fui, com um pouco de medo (rs...)mas fui mesmo assim, porque havia esperança.
Na hora do teste a enfermeira me fez algumas perguntas tipo: Você está bem de saúde? Tem alguma queixa? Você está preparado para o resultado?
Respondi que sim.
Então a enfermeira fez o primeiro teste e guardei na recepção por alguns minutos, tremendo mas ao mesmo tempo com aquela esperança que o teste daria negativo.
Até que a enfermeira me chamou, ela pediu para refazer o teste, só que utilizando o dedo de outra mão, disse que seria só para comprovar. Eu disse tudo bem, mas na hora em que essa enfermeira pegou na minha mão para dar a picadinha percebi que ela temia muito o que na primeira vez vi que ela estava calma. Nessa hora eu já imaginava o que ela não queria me falar, então tive que aguardar mais um pouco na recepção para o resultado.
Passou o tempo e fui chamado, entrando na sala de enfermagem vi que já havia outra pessoa (imaginei que seria uma médica) mas era a psicóloga do posto. Então a enfermeira me confirmou q o teste deu positivo. Ela junto com a psicóloga conversaram muito comigo, me deram apoio, eu fiquei em silêncio por alguns minutos, chorei um pouco, até que contei para elas meu caso e que eu estava lá para fazer o teste com esperança de dar negativo. Elas me apoiaram em minha decisão porque eu tinha esperança, pediram para eu fazer o acompanhamento com o médico e o tratamento que assim eu teria uma vida normal.
Um dia depois tive a consulta com a psicóloga do CTA, comentei com ela sobre minha atitude de fazer um teste rápido em outro posto, no momento eu não entendia como eu teria contraído o HIV por isso ficava minha dúvida em relação ao meu exame, esses dias eu estava quase ficando louco.
Dias depois tive a primeira consulta com a médica do CTA, foi onde iria comprovar o HIV no meu sangue.
Me lembro muito bem como foi esse dia. Podem dizer que sou um pouco teimoso, mas ainda tinha esperanças de ser soronegativo. Digo isso não por preconceito, mas por medo, porque até aquele momento eu tinha poucas informações sobre o que seria viver com HIV.
Nesse dia então, antes de sair de casa, falei um pouco com Edna, disse que eu estava com medo mas ao mesmo tempo eu estava com esperanças. Ela disse que talvez iria lá também para me acompanhar mas não garantiu.
Chegando lá então, peguei a senha e aguardei minha vez.
Quando estava quase na minha vez Edna aparece, fiquei muito surpreso.
Na minha hora entrei no consultório sozinho, até chamei Edna para acompanhar mas ela preferiu ficar do lado de fora mesmo.
No consultório a Médica me atendeu super bem (aliás todos do CTA me atenderam super bem), ela conversou bastante comigo, até que começou a ver os resultados dos exames. E até que foi comprovado HIV, fiquei abalado pensei: e agora? A médica me deu muitos conselhos e palavras de conforto, nessa hora saí da sala com os resultados dos exames na mão. Edna correu em minha direção e perguntou o que tinha dado o exame, nessa hora nem consegui falar, minha voz não saia, então abracei Edna e comecei a chorar sem parar, nessa hora ela chorou também. Ela falou para mim ter calma e disse que ficaria tudo bem, ficamos um pouco no carro conversando, depois fui levá-la para o trabalho e segui para o meu também porque o dia estava apenas começando.
Eu agradeço muito a minha psicóloga por ter me encorajado a encarar o HIV de frente, me mostrou que só morre de HIV/Aids quem não se trata, quem não se cuida. Me reforçou que o HIV deixou de ser uma “doença letal”, agora o HIV se tornou uma infecção crônica, o tratamento é praticamente como de alguém que tem pressão alta ou diabete.
Agradeço muito a Edna, por ter ficado do meu lado me apoiando, dando forças nos dias mais difíceis, me ouvindo reclamar, me dando o ombro para chorar e como chorei (rs).

Mas o que seria de nós sem as Psicólogas?
Elas são as primeiras pessoas que nos mostram que a vida não acabou, aos poucos ela nos mostram que a vida continua, apenas nossa vida tomou um rumo diferente, estamos vivos.

Na próxima eu falo como está sendo meu tratamento, o CD4/Carga Viral e adicionarei informações importantes.

...Eu escolhi viver
   Abraços

...Breno...

Regras para a vida




Sim, faz todo o sentido... Quem sabe assim seremos mais felizes.

Edna

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Eu Escolhi Viver...



Ainda existe tantos sonhos,
Tantas promessas feitas,
E um caminho tão promissor.

Eu sei que estou fraco,
Sei que fiquei abalado,
Com os últimos erros,
Com os últimos adeus que tive que ouvir.

Mas eu preciso manter meu coração batendo,
Não importa se ele pode se machucar um pouco mais,
Não importa se vai existir mais lágrimas pra serem derramadas,
Eu preciso chegar até o fim,
Pra ter a certeza que tentei,
Que busquei por tudo que sonhei um dia.

Então não importa se o dia está escuro,
Ou se está chovendo demais para continuar a caminhada,
Eu não vou desistir,
Não importa se a minha vista estiver embaçada por causa das lágrimas
Ou o passado esteja difícil de carregar na mente,
Eu vou seguir em frente.

Eu não vou ser alguém que facilmente desiste,
Eu não vou ser alguém que deixou a dor falar mais alto que os sonhos,
Porque eu não quero ser,
E não me tirou a alegria de viver.

Sou muito mais que apenas erros,
Não, sou perfeito,
Mas não irei desistir enquanto houver esperanças,
E de fazer da minha vida,
Mais do que apenas mais uma história sem sentido, sem rumo.

A vida é mais forte que a Aids

...Breno...

Cuidados dos soronegativos com os soropositivos

O HIV é um assunto antigo e ao mesmo tempo atual. A realidade é que nem ouvimos direito a palavra HIV, ouvimos falar em aids, quando nem sempre quem tem HIV tem aids. Os soropositivos têm o vírus HIV, que se não tratado pode vir a desenvolver aids. Mas, na verdade tudo que ouvimos por aí é: aids mata!
Não, não mata mais, o soropositivo vive normalmente, necessita de cuidados, como todos os outros seres humanos.
Então quais cuidados um soronegativo deve ter com um soropositivo?!

Informações:
É importante primeiramente que se obtenha informações sobre o assunto, pois o que as mídias falam não pode ser interpretado como verdade absoluta, como meio de prevenção é trabalhado o medo ao invés das informações reais sobre tal tema. Portanto, é importante ler sobre o assunto em livros, blogs contendo histórias reais, artigos científicos, dentre outros. Também sempre perguntar qualquer dúvida que venha surgir ao médico, que é a pessoa que sempre terá informações claras e verdadeiras. 

Paciência:
O soropositivo pode se apresentar muito instável emocionalmente, muitos medos como de ser abandonado, de ficar doente, de infectar outras pessoas, ter muitas dúvidas de como agir, de contar ao não sua condição para outras pessoas. Portanto, é preciso muita paciência, pois é normal que isso aconteça, aliás esses estados emocionais perturbados podem ocorrer com qualquer pessoa, soropositivo ou não. Acredito que só de estar ao lado da pessoa, escutando o que tem a dizer já é de grande valia, claro que algumas palavras podem servir de apoio, mas é muito interessante que se sinta acolhido, que tem alguém para conversar que não faça julgamento de sua condição. Empatia sempre, tratar as pessoas como gostaria de ser tratado. 

Não julgar:
É muito fácil julgar as pessoas quando não vivemos a realidade delas. Ninguém escolhe ser soropositivo, não é nada fácil a pessoa ter que conviver com o estigma social da doença, portanto não julgar já é de grande valia. Também, ninguém sabe o dia de amanhã, hoje você é soronegativo, amanhã pode ser soropositivo, em segundos muitas coisas podem mudar em nossas vidas. 

Atenção e carinho:
Pode ser que o soropositivo se queixe muitas vezes das mesmas coisas, dos mesmos medos, porém se ele diz aquilo é que para ele é importante e que necessita dessa atenção para si. Carinho também é muito importante, abraçar é algo que traz muitas sensações boas, principalmente faz perceber que você não tem medo, não precisa ter medo de contato físico, isso é algo importante para todas as pessoas igualmente. 

Preservativo:
Em caso de relação sexual é necessário uso do preservativo em todas as vezes. Esse ato não protegerá somente o soronegativo de contrair HIV, mas também o soropositivo, pois existem mutações do vírus que podem dificultar o tratamento, fazendo com que o tratamento com os antirretrovirais não tenham o efeito esperado deixando sua vida em risco. Também para proteção de DSTs existentes, que também podem infectar ambos. Ou seja, o preservativo serve para a proteção do casal, não sendo somente para o soronegativo.

Cuidado!
Tome muito cuidado em se relacionar com um soropositivo, pois eles podem fazer você ficar perdidamente apaixonado! rs
São seres humanos como todos os outros existentes no mundo, merecem respeito e acima de tudo serem vistos como pessoas normais que são, com direitos e deveres como todos.

Meus cuidados com o Breno:
Desde que o Breno descobriu sua soropositividade acredito que o meu maior cuidado foi para que nunca perdesse as esperanças, por mais triste e perdida que eu me encontrasse sempre achei importante que ele sentisse que em tudo há esperança, porque realmente há, enquanto estamos vivos nada é impossível, ainda mais para um homem como ele que luta pelo que quer e não tem preguiça de trabalhar e conquistar o que necessita. Também sempre tento ser muito atenta ás necessidades de conversar, nem que seja para ele reclamar, sempre ouço, acho muito importante ouvir o que ele tem a dizer, pois muitas vezes não tem somente relação com aquele assunto em si que ele fala, mas também se relaciona com outras coisas. Na verdade sempre conversamos muito sobre tudo, porém depois do diagnóstico me atentei a estar ainda mais disponível para essas conversas. O contato físico como abraços e beijos eu vejo que faz muito bem para ele, acredito que faça parte da necessidade de ser aceito e perceber que realmente não há preconceito. O preservativo também está 100% presente, sempre fui responsável por comprar, antes usávamos porém não o tempo todo e em todas as relações como é agora, mas ajuda muito descobrir um preservativo que seja confortável para ambos, gostamos muito do sensitive que é mais fino, porém sempre que vejo alguma novidade nesse setor compro para testarmos. Também gosto de saber de suas consultas com a médica infectologista, ele sempre diz que posso acompanha-lo se quiser, mas acredito que ele se sinta mais a vontade para perguntar e esclarecer possíveis dúvidas se estiver sozinho, faz bem respeitar seu espaço, também as visitas a psicóloga que lhe fazem muito bem. Procuro incentiva-lo a sempre continuar trabalhando e estudando, por mais difícil que seja a vida se ele trabalha e estuda pode tudo, isso é a base de tudo. Gosto de dizer, para que tenha consciência que para mim, para seu filho e muitas outras pessoas a sua existência é muito importante, que é uma pessoa muito especial e adorada.

Enfim, seja humano, tenha respeito e empatia, isso é o essencial.
E lembre-se, o soropositivo é uma pessoa normal, com o detalhe de ser portador de um vírus e fazer uso de medicamentos. Dê carinho e receberá seu carinho como recompensa.

Beijos e abraços,
Edna.








segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Cicatrizes

Ás vezes as coisas ruins que nos acontecem em vida nos deixam grandes aprendizados, apesar da dor. Também quer dizer que estamos vivos e temos ainda a oportunidade de lutar.
As nossas cicatrizes tanto na pele como na mente são marcas de batalha e se estamos vivos significa que essa batalha foi ganha, por mais que tenha deixado marcas. 

Força sempre!

Sem mais.

Edna

domingo, 3 de janeiro de 2016

O que eu espero de 2016

Amanhã, segunda-feira, vem ao fim o período de festas e tudo voltará ao normal, ocupações e obrigações... Atividades normais do nosso dia a dia.
Mas afinal, o que podemos esperar de 2016?
Emagrecer, se formar, gastar menos... cada um tem suas prioridades, mas o que eu queria, de verdade? 
Eu queria que o mundo fosse menos moralista, preconceituoso... Acho que tudo isso já faria um mundo melhor, já eliminaria o sofrimento de muita gente.
É muito fácil de julgar alguém, apontar o dedo na cara, colocar palavras na boca de outra pessoa, quando o que acontece é que cada um sabe da sua verdade, dos seus sofrimentos e necessidades e no fundo cada pessoa tem um motivo para ser como é. Ninguém vive nossas dores e amores. 
Portanto, espero que em 2016 cada um dê mais atenção as suas prioridades, deixando um pouco de lado a vida alheia, lógico que prestando ajuda e solidariedade quando necessário, mas procurando sempre fazer o bem, sem julgar e sem preconceitos,..
Ao mesmo tempo que somos todos diferentes, cada um com sua subjetividade, somos todos iguais, com as mesmas necessidades de amor, carinho e principalmente respeito.

Beijos e abraços.
Edna.